Resenha

RESENHA: “O REINO DESTE MUNDO”, DE ALEJO CARPENTIER

Livro: O Reino deste mundo
Ano: 1949 | Edição: 2009
Páginas: 132
Editora: Martins Fontes
Gênero: Realismo mágico
Autor: Alejo Carpentier
Tradutor: Marcelo Tápia

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O “Novo Mundo” foi alcançado logo após a conquista da independência haitiana, quando os brancos deixaram de governar e o primeiro monarca negro da nação foi coroado. É no intervalo de tempo que precedeu essa revolução que Carpentier, autor cubano, se debruça e constrói uma história inaugural do real maravilhoso ou realismo mágico, como é conhecido atualmente.

Em meio à revolta dos negros e ao marcante retrato social do Haiti na época, há o escravizado Ti Noel e, sob sua vivência, acompanhamos as amargas lutas travadas em busca de liberdade. Explorando o fantástico, surge a histórica pessoa do escravizado Mackandal, uma figura real e importante para a luta da independência no Haiti. Na narrativa, visto como lendário, Mackandal foi perseguido pelos colonos franceses, fugindo da morte usando de artifícios fantásticos, transformando-se em animais e outros seres da natureza.

Além disso, percebe-se que narrador não demoniza as religiões, mas dedica um novo olhar para essa parte da realidade que ajudou a alimentar o desejo transformador social e político. Ao passo que os colonos brancos franceses perderam o poder, um monarca negro assume o trono e passa a governar o país independente, mas seu reinado é marcado pela crueldade, com a imposição do trabalho escravo para brancos e negros. Vê-se o quanto a busca pelo poder desumaniza o ser humano, e isso o destrói. Restando-lhe apenas a natureza terrena, sendo sua completa essência aceita somente aqui.

Em alguns momentos, senti a leitura arrastar, resultado de uma linguagem rebuscada utilizada pelo narrador, desacelerando a trama. Porém, deixar-se navegar pelo fantástico de Carpentier é um ato de passagem, que nos leva pelos caminhos da apaixonante América Latina, a perfeita crônica do real maravilhoso.

Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐


“A grandeza do homem está precisamente em querer melhorar o que ele é. Por isso, esgotado pelas penas e pelas tarefas, belo dentro de sua miséria, capaz de amar em meio às pragas, o homem só pode encontrar sua grandeza, sua máxima medida, no Reino deste Mundo.”


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