Resenha

RESENHA: “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos

Livro: Vidas Secas
Ano: 1938 | Edição: 2018
Páginas: 320
Editora: Record
Gênero: Romance
Autor: Graciliano Ramos
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A busca pela alma de uma cachorra em meio à dureza da terra rachada, a fome desoladora que fazia sumir as carnes do corpo, a lama que encobria os garotos para esconder, mesmo que por um curto momento, as mazelas da vida. Vida parada, que não evolui, que não vai nem volta, não reconhece o porvir. Os retirantes querem se debandar, observam a vida ao redor, desejam algo além. Fome de vida, sede de avanço e a busca irremediável da voraz natureza humana.

Vidas Secas está presente no imaginário brasileiro, e quem não leu pelo menos já ouviu falar. Escrita em 1937, a obra de Graciliano Ramos nunca se torna ultrapassada.

Capa do livro, edição especial de 80 anos de lançamento

O narrador nos guia pelos sonhos de Fabiano, marido de Sinhá Vitória e pai de dois meninos. Eles partiram para fugir da seca do Nordeste em busca de vida melhor. Queriam ser livres das amarras quase inquebráveis da miséria. Queriam fartura até mesmo para a cachorra Baleia, tão sonhadora de um dia ter a barriga cheia de preás.

O capítulo da cachorra Baleia veio acompanhado com os manuscritos

Mas nem com as palavras a família tinha intimidade. A angústia dos quatro, diante de um mundo de coisas para eles inomináveis, passa a ser nossa. Fabiano sentia-se animal por não saber de muita coisa, mas mostra toda sua racionalidade e empatia quando se recusa a cometer um ato cruel e quando reflete sobre o resultado de suas ações. Ele se preocupa sobre como os filhos o verão, como sua mulher o vê e, principalmente, como sua consciência o permite enxergar.  

Inicialmente, o livro se chamaria “O mundo coberto de penas”

A humanização é vista desde a ótica da dimensão da esperança. Quanto mais esperança as personagens se permitem ter, mais humanas se tornam e, consequentemente, mais próximas de nossas realidades elas chegam. Mesmo inseridas em um contexto social limitador, sonham com a vastidão, aumentando, a cada passo, os sonhos de evolução, a vontade de crescer e conhecer um mundo além daquele todo coberto de penas.

Nota: 5/5 🌟


Baleia queria dormir. Acordaria feliz num mundo cheiro de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes”.

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7 comentários em “RESENHA: “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos”

  1. Eliziane boa noite. Gostaríamos de estender o convite para que você participe de uma rede de sites, jornais e programas de rádio. Nossa rede produz conteúdo gratuito para diversos veículos de comunicação e páginas de redes sociais. Um dos focos da rede é estimular a leitura, aproximar leitores dos países de língua portuguesa. Temos contatos em 9 países de língua portuguesa. Aguardamos seu retorno.
    A participação seria na disponibilização do conteúdo que você já vem produzindo para vários outros, e outras possíveis parcerias.

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