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hoje deixei meus lábios framboesa, vermelhos e macios que intentam ao desejo.

hoje acordei para ser desejada não somente por mim.

quero fazer gritar os repúdios até que corram para o desconhecido.

hoje permito que se acordem e me acordem, não quero mais dormir.

quero que saibam que estou indo além porque fui palpitada para ir.

desejo ir em frente e encontrar o motivo da minha respiração ofegante noturna.

a noite que me preenche e torna meu corpo uma apresentação sincrônica de bailarinas.

sou capaz de tudo e por isso deixo que se esvaia minha lucidez por todos os gemidos guturais que minha garganta permitir escapar.

mas os meus lábios ainda se mordem.

hoje meus dedos irão dançar em outra freguesia, sentindo a transmissão corporal que somos capazes.

não há mais ninguém, hoje as framboesas serão rompidas e o sumo vermelho colorirá o cinza enevoado dos meus prazeres.

como uma meiose de corpos, seremos dois, seremos quatro, seis ou um turbilhão que as emoções nos permitirem.

quero que sua voz me faça arrepiar e sentir que a certeza do amanhã é insuficiente perto do que sinto agora.

não quero me sentir completa, isso já dou conta por aqui.

quero transbordar, sangrar como uma represa e explodir todas as palpitações que sua boca pode me propiciar.

hoje quero que sua língua folheie as páginas do meu corpo, não me deixe explorar sozinha.

quero revirar os olhos, morder a bochecha por dentro, ranger os dentes e arquear o corpo enquanto aguardo o encharque.

o suco escorre para bocas sedentas, você que tanto busca e sempre termina encontrando como o mais doce sumo que tenho a oferecer.

eu sempre tenho a oferecer.

para meu corpo apático que por outras mãos passou só declamo desculpas, singelas e corajosas.

hoje quero ser sua, não como objeto.

não somos coisas.

somos além, vamos nos encaixando num molde perfeito que assusta ao olhar inicial.

não quero espantos, quero seu toque quente.

desejo pelo fogo, aquele que me queima por dentro e me preenche os olhos com uma coragem de leoa.

hoje seremos selvagens, amáveis, quentes, doces.

serei vermelha, permito que me extraia o mel, permito que ruboresça seus lábios com o meu sentir.

quero que me deixe, que se deixe.

Quero que seja, que aprenda, que olhe, admire e admita o quão extraordinário é o dom de poder tocar.

Quero que me toque, que me ame, como poucos saberão um dia amar.

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3 comentários em “De um jeito que nem todos saberão amar

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